sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A Natureza do Homem Segundo Karl Marx



Acredito que uma das mais significativas análises da condição humana foi dada por Karl Marx. Para Marx, o que caracteriza o homem não é apenas a racionalidade, mas o fato de ser o artífice do seu próprio desenvolvimento. Se uma pedra pudesse pensar, ou seja, tivesse consciência dela e do mundo que a cerca, ainda assim, ela continuaria sendo pedra, pois, não poderia mudar sua forma e nem do mundo em que vive. Os seres humanos, ao contrário , são capazes de mudar o mundo ao seu redor e, fazendo isso, mudam a si mesmos.
O conceito marxista do homem nasce do pensamento de Hegel. Hegel, no entanto, era idealista e achava que a  compreensão da natureza  humana estava na evolução dialética das ideias. O homem, nessa visão, é fruto da sua consciência, do seu pensar. O pensamento não só precederia a ação, como seria seu fundamento último, a sua essência imutável.
Marx inverteu a filosofia de Hegel. Não é a consciência que determina o ser, mas o ser que determina a consciência. Como consequência, para entendermos o homem,  temos que saber como ele se organiza para produzir os meios necessários a sua sobrevivência.  Ou seja, sua essência,  não é algo dado, estático, mas construída no seu processo de vida. O homem tem, é claro, uma natureza instintiva, mas o que o caracteriza é ser livre e consciente. Sua independência e liberdade, no entanto,  baseiam-se no seu processo de autocriação. Um ser não é independente a menos que seja seu próprio senhor, e ele só o é quando deve sua existência a si mesmo. Um homem que vive graças ao favor de outrem deve ser considerado um ser dependente. Chegamos, então, ao núcleo do pensamento de Marx e que, no meu entender, é o fundamento da sua crítica ao sistema capitalista. A crítica central feita por Marx ao capitalismo, não é a injustiça na distribuição da riqueza, o que também é verdadeiro, mas, o processo de perversão do trabalho, o que ele chamou de trabalho alienado, que converte o homem em uma “monstruosidade”.
Marx se preocupa, também, em distinguir o homem dos animais. Esta distinção, segundo ele, começa a  existir quando os homens começam a produzir os seus meios de sobrevivência. Dá-se,então, a passagem da vida animal, puramente instintiva, para o ser social. Assim, enquanto  os animais dependem estaticamente da natureza e, por isso, são sempre iguais, o  homem, ao contrário, com seu trabalho,  tem uma relação dialética com seu ambiente. Nesse contexto, as diversas manifestações da sua vida, como a moral, a política, a arte etc. , não tem, absolutamente, uma história própria ,encontarndo-se intimamente relacionadas e dependentes das  relações socias de produção.São os homens, historicamente determinados, que criam formas de pensamento.
 A consciência humana,porém,  não se desenvolve no individuo isolado, mas unicamente nas relações sociais. Desde o começo o espírito leva em si a maldição de ser “contaminado pela matéria”, na qual se manifesta.Por exemplo:a  linguagem é tão velha quanto à consciência. A linguagem nasce ,em primeiro lugar, da necessidade de  manter comércio com  outros homens. A consciência, portanto, é ,desde o inicio, um produto social e permanecerá como tal enquanto existirem homens. Mas é necessário  recordar que, segundo Marx,  não se trata de considerar o individuo passivamente submisso à sociedade.  Marx afirma, decisivamente ,a reciprocidade da ação que se exerce entre o homem e a sociedade. A sociedade contribui para a transformação do homem, mas é o homem que produz essas modificações. Concluindo,podemos dizer que ,para Marx, é preciso ver o homem como um ser em movimento, em continuo processo de construção e que  tem  sua natureza forjada   no bojo de  relações  sociais  historicamente constituidas.

Um comentário: